Foto: Canva
por: Credtimes
O uso do FGTS para o programa Desenrola 2.0 reacendeu o debate sobre a finalidade do fundo, contrapondo sua função de financiamento habitacional de longo prazo ao uso como auxílio emergencial para famílias endividadas.
Entidades da construção civil, como a ABRAINC, alertam que redirecionar esses recursos pode comprometer a sustentabilidade do sistema que garante o acesso à moradia popular para milhões de brasileiros em todo o país.
A retirada constante de capital reduz a capacidade do fundo de abastecer linhas de crédito imobiliário, o que pode elevar os juros dos financiamentos e diminuir a oferta de novos empreendimentos para a baixa renda.
Economistas destacam que o uso repetido do FGTS para resolver problemas conjunturais não ataca a origem do endividamento e corrói a segurança do sistema, tornando o capital para investimentos cada vez mais escasso e caro.
Recentemente, o governo restringiu o saque-aniversário para proteger o estoque do fundo, mas a nova proposta de flexibilização para quitar dívidas demonstra uma contradição nas políticas de preservação do patrimônio.
Entre 2020 e 2025, as operações de antecipação e saque do fundo movimentaram bilhões de reais, evidenciando uma pressão estrutural que transfere o custo da estabilidade futura para o alívio financeiro imediato das famílias.
O redirecionamento do FGTS pressiona o setor imobiliário pois retira a principal fonte de capital barato do mercado, elevando o custo do crédito e dificultando a viabilidade de novos projetos habitacionais no futuro.